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No dia 27 de abril ocorreu uma reunião entre a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) e a Polícia Civil do Rio de Janeiro. Nesta reunião a Polícia Civil comprometeu-se novamente em realizar esforços para reprimir os crimes de intolerância religiosa e também criou um curso para que os policiais recebessem treinamento para lidar com esses casos. Dentro desta questão, há um ponto que atinge os Wiccanos e os Pagãos em geral diretamente: Os crimes ligados a supostos “rituais de magia negra”.


Muitos dirão que não devemos dar crédito a essas histórias, mas esses casos podem ser bem perigosos para pagãos e bruxos declarados. Lembro que eu passei por isso: na época em que eu contei para o meu pai que havia me tornado Wiccana e que naquela noite participaria d um Esbá de Lua Cheia em uma cidade da Região Metropolitana de Porto Alegre, ele ficou realmente assustado, porque justamente naquela semana haviam noticiado na TV que alguém havia sido morto em um ritual de magia negra...

Além disso, quando crimes ligados à “magia negra” são divulgados na mídia a probabilidade dos pagãos sofrerem preconceitos ou pior, agressões físicas, são bem maiores.

Para nós que sabemos que uma coisa não tem nada a ver com a outra, não tem problema, pois sabemos como lidar com a situação e separar o que pode ser engodo do que é um grupo de práticas pagãs sério...mas as pessoas que estão “do lado de fora” na tem essa noção. Eles não fazem essa distinção, e é nesse sentido que as coisas precisam ser explicadas. Principalmente para dois segmentos: a mídia e a polícia. Por que quando um crime ligado a “supostos rituais de magia negra” acontece, são elas que influenciarão a opinião pública a respeito do caso, além de investigar e registrar o caso de acordo com o depoimento das testemunhas. Por isso é necessário orientar a mídia a não divulgar casos deste tipo como “magia negra”, mas unicamente como assassinatos (embora sabemos que a mídia sempre usará isso para chamar atenção), pois na minha opinião, enquanto for divulgado a “magia negra”, em filmes, notícias, etc...sempre haverá aqueles que acreditarão, ou que a utilizarão como desculpa...e quem sai mais prejudicados nessa historia são os pagãos, que nada tem a ver com isso.

Um exemplo que podemos seguir aqui vem do Canadá. Uma das iniciativas surgiu de um policial canadense que também é Pagão.

O canadense Charles Ennis, sob o nome pagão de Kerr Cuhulain, policial veterano e Wiccaniano escreveu um manual que ajuda autoridades policiais a lidarem com os casos de crimes envolvendo "magia negra", bruxaria, feitiçaria, satanismo e outros, sem ofender os praticantes da bruxaria ou interpretar erroneamente esses casos. O Guia Wiccano para Autoridades Policiais (tradução livre do original em Inglês: The Law Enforcement Guide to Wicca) está na quarta edição. Ele oferece uma definição clara e concisa do que a Wicca é não é. Os recursos materiais incluem um glossário de termos Wiccanos, vários alfabetos mágicos e rúnicos, uma extensa bibliografia e um estudo de caso de um crime em questão (incluindo a solução) O Guia Wiccano para autoridades Policiais é utilizado como uma ferramenta educacional por polícias locais e instituições correcionais.

Charles Enner foi policial por mais de 20 anos e é Wiccano há mais de trinta. É ex oficial da Força Aérea e atuou em equipes da SWAT, combate a Gangues e negociações de reféns. Mais conhecido pela comunidade pagã como Kerr Cuhulain, Enner foi o primeiro oficial de polícia wiccano a declarar publicamente sua crença há 28 anos. Passou a investigar crimes de ódio contra pagãos, a partir de 1986, de onde tirou sua experiência para escrever seu livro. Atualmente ele dirige uma associação beneficente sem fins lucrativos voltado para bombeiros, policiais e socorristas pagãos e suas famílias. Atualmente vive em Surrey, na Colúmbia Britânica

Depois de sermos vítimas de anos de imprensa negativa, precisamos ir a público para defender a nossa religião. No artigo abaixo as autoridades policiais encontrarão informações sobre o que é a bruxaria e por que ela não pode ser culpada por todo tipo de crime envolvendo "magia negra".

Esperamos, com a publicação deste artigo, dar às autoridades policiais municipais, estaduais e nacionais uma compreensão adequada das chamadas Religiões da Terra aqui descritas como Paganismo, Neo-Paganismo, Bruxaria e Wicca. Esperamos com esse esforço, contrariar a tendência da mídia, das pessoas e de outras crenças de associar automaticamente crimes provocados por criminosos psicopatas declarados como "magia negra" e "satanismo" com a nossa religião e estilo de vida. Esperamos também que neutralize a retórica inflamatória de religiosos fundamentalistas que usam esses acontecimentos para assustar o público para seus próprios motivos escusos.

Algumas definições:

Ocultismo: O estudo do conhecimento oculto. Ex: maçons e rosa-cruzes.

Religiões da Terra: São religiões cuja crença mais importante é a harmonia com a Terra e toda a vida que há nela. Tais religiões se opõem à idéia de que o mundo é um lugar que foi criado para ser explorado e subjugado pelo ser humano. Essas religiões incluem a Wicca, a Bruxaria Tradicional, o Druidismo, o Xamanismo e os Reconstrucionismos.

Pagão: um praticante de uma dessas religiões da Terra, do latim paganus, que significa "morador do campo".

Neo-Paganismo: a cultura comum a todas essas Religiões da Terra.

Bruxaria: uma religião pagã com inúmeras tradições de fontes culturais diversas (a maioria européias) em torno do qual covens e praticantes solitários baseiam suas práticas. Pode ser dividida em Bruxaria Tradicional e Bruxaria Moderna, esta última englobando a Wicca.

Coven: uma congregação de bruxos, de pelo menos três e não mais que treze membros.

Bruxa(o): um seguidor co caminho espiritual da bruxaria. Aquele que pratica bruxaria.

Wiccano ou Wicaniano: o praticante da religião Wicca.

Magia: O uso consciente da energia psíquica, acompanhada de ritual para realizar um objetivo. Também chamado de Poder pessoal.

Sabbat: Qualquer um dos oito rituais sazonais celebrados or covens e pagãos solitários Podem ser realizado tanto à noite quanto à luz do dia.

Esbbat: Qualquer um dos 13 festivais lunares (plenilúnios) ao longo do ano. Alguns covens reúnem-se nas outras fases da lua. Esses rituais ocorrem geralmente à noite.

Pentagrama: uma estrela de cinco pontas dentro de um círculo, antigo símbolo de boa sorte e proteção. É o símbolo da Bruxaria e do Paganismo, usado no pescoço por muitos praticantes.

Sacrifício: sacrifício, ou "ofício sagrado", tem seu significado etimológico do latim, sacro facere, ou seja realizar um ato sagrado. Os sacrifícios religiosos não são necessariamente feitos tirando a vida de um animal ou pessoa, mas sim abdicando de algo importante para a pessoa em questão em honra a uma divindade.

Perguntas mais frequentes:

Todas as bruxas praticam sua religião da mesma maneira? Não. Dentro da Bruxaria existem diversas Tradições, cada qual com a sua prática. Embora as práticas variem de Tradição para tradição elas possuem uma base comum, como o trabalho com a magia e o respeito pela natureza.

As Bruxas cultuam o Diabo? Não. A crença de que as bruxas cultuam o diabo vem da imagem do Deus de Chifres da Bruxaria que não tem relação alguma com o diabo. O Diabo é uma crença cristã. Bruxas não são cristãs, logo, não acreditam no diabo.

As bruxas praticam Magia Negra? Os Praticantes da Bruxaria praticam e acreditam na magia. Mas para eles, não existe magia branca ou negra. Magia não tem cor. Tampouco existem bruxas boas ou más. O que existem são pessoas boas e pessoas más. Pessoas que dizem praticar magia negra são ou psicologicamente perturbadas ou são puramente maldosas ou totalmente cara-de-pau, que usa a dita prática de magia negra para encobrir atos criminosos. Praticantes de magia negra não são bruxos, são criminosos.

Desmistificando práticas criminosas comumente associadas à bruxaria:

Consumo de drogas:

Antigamente era comum o uso de substâncias psicotrópicas para chegar a um estado alterado de consciência. Desde que foi comprovado o mal causado por essas substâncias os praticantes de bruxaria tem desestimulado o seu uso, substituindo-os por meditações, visualizações, cantos e danças.

Invasões de cemitérios e violações de sepulturas:

Os Bruxos têm uma visão da morte como uma parte do ciclo de nascimento, morte e renascimento. Eles respeitam seus mortos e não usam restos humanos para a prática de qualquer tipo de feitiços. As únicas oportunidades em que um bruxo frequenta um cemitério é quando um conhecido seu morre ou na época do Samhain (o festival dos mortos) que no hemisfério sul acontece na data de 30 ou 31 de abril. O Samhain corresponde ao dia de finados cristão, é e a ocasião em que lembramos os nossos entes queridos que já morreram. Além disso um Pagão pode frequentar o cemitério quando estiver passando por um período de morte simbólica onde é importante refletirmos sobre o significado da morte para nossa crença. Mesmo nessas ocasiões, nenhum pagão levará consigo, restos humanos ou terra de cemitério.

Rituais envolvendo fetos mortos ou restos humanos:

A crença pagã é o respeito à vida e a morte. Nenhum pagão, bruxo ou não, utilizará qualquer tipo de fetos mortos ou restos humanos, para feitiços de amarração, morte ou vingança. Nossa crença inclui a lei tríplice, que diz o seguinte: "Tudo o que fizeres, retorna para você três vezes mais forte."

Corrupção de Menores:

Os Pagãos organizam eventos públicos e gratuitos, abertos a quem quiser participar, sejam maiores ou menores de idade. Esses eventos são realizados e parques e praças das cidades. Alguns adolescentes geralmente participam e são bem-vindos, mas em nenhum momento são coagidos ou obrigados a participar. É nosso costume pedir aos pais e responsáveis que acompanhem seus filhos a esses eventos ou então que procurem sempre saber onde estão. Alguns organizadores não permitem a participação de menores de idade para não ter problemas com pais que não permitem aos filhos ter contato com nossa crença. Incentivamos sempre aqueles que são menores de idade a obedecerem à vontade dos pais e sempre dizer onde estão e o que estão fazendo. Não utilizamos crianças em rituais a não ser que este seja um rito de passagem em que esteja pesentes os pais, como o Wiccaning (bênção do bebê).

Tortura, homicídio, estupro, extorsão e ameaça:

Não é nosso costume torturar, assassinar, beber o sangue ou estuprar pessoas durante nossos rituais, da mesma forma que não extorquimos ninguém por dinheiro ou ameaçamos de morte caso conte à alguém sobre o que fazemos.

Casos assim têm como autor geralmente pessoas psicologicamente fracas que podem ser facilmente auto-sugestionadas ou puramente psicopatas que utilizam a chamada "magia negra" como desculpa para cometer atos criminosos. Nesses casos é muito importante investigar muito bem o criminoso, com um psiquiatra forense para determinar a dimensão do seu crime. Em caso de dúvida é aconselhável conversar com praticantes de bruxaria que podem auxiliar e sanar dúvidas que podem surgir.