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Paganismo e aceitação do corpo

Vou começar o texto com uma advertência que infelizmente,  se faz necessária.  Não estou fazendo apologia à sedentarismo, má alimentação, etc. Nem estou condenando a vaidade normal, querer estar bem, bonita. 

Isso posto, existem alguns pontos que eu gostaria de abordar. Não é novidade que vivemos numa sociedade de consumo. Esse consumo é baseado em criar necessidades. Se junta isso com uma tradição de se apropriar do corpo das mulheres, reduzidos à sua capacidade procriativa e à de objeto sexual, e temos um encontro trágico: uma cultura que mantém mulheres (homens também, mas em um grau menor) perpetuamente insatisfeitos com o que são, com quem são, incapazes de habitarem seus corpos com prazer e segurança. 

O padrão de beleza é inatingível. É pouco saudável. É irreal, preso numa juventude eterna. É eurocêntrico, onde apenas pele clara, cabelos lisos e loiros são aceitáveis. Tem seios mais firmes que carne real. Não tem celulite. Não tem marcas de gravidez. Não vive, não respira, não ama, não amamenta, não cresce, não envelhece, não pare, não despenteia, não amolece, não sua, não tem cheiro, não tem pelos. 

E assim criam-se mulheres insatisfeitas. Mulheres na ‘guerra contra a celulite, guerra contra a gordura localizada, guerra contra as rugas’, enfim, guerra contra si mesma. Essa guerra as drena de recursos, financeiros e psicológicos, de auto-estima, de senso de valor próprio, de segurança. Nos casos mais extremos, bulimia e anorexia, da própria vida. 

Dentro do contexto do paganismo, se torna uma ironia ainda mais cruel. Como podemos chamar a assistência dos ancestrais, se odiamos o corpo que nos legaram, se não temos o orgulho legitimo de parentesco com nossa própria gente? Como reverenciamos a Anciã, se para nós ela não tem beleza, e beleza é a principal finalidade de uma mulher? Como a amaremos, e a às nossas mães, se não aceitamos as rugas no nosso próprio rosto? Como poderemos amar o corpo de nossas filhas, e ensiná-las a se respeitarem, se odiamos o que somos? Como podemos, enquanto sacerdotisas, nos colocar como representantes da Deusa na terra, quando odiamos o templo do nosso corpo, pela forma que tem?

Então, comece uma revolução, ame seu corpo!

Mudwoman.