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A primeira, ou melhor, uma das primeiras coisas que se ouve no meio pagão – aqui me refiro a toda a sociedade pagã, independente de qualquer segmento – é a seguinte frase: “todas as formas de amor e prazer pertencem a Deusa”.

É fato observarmos que esta frase de pura alegria e satisfação é uma ode, um hino à liberdade e a declaração de conquista pessoal sobre muitas amarras – quer sejam sociais, políticas e, até mesmo, morais –, e de anos e anos de condicionamento comportamental.

Muitos, dos que hoje enfileiram o meio pagão, vieram por meio deste atrativo: todas as formas…

Como dito acima, tal frase é um hino à máxima da corrente pagã – liberdade – quer seja de ações, opiniões, pensamentos e dentre outras formas. Porém o que se é muito comum é a deturpação deste hino. Muitos o levam ao pé da letra sem atinar pra o profundo e verdadeiro – creio eu, pois é bem maior do que aparenta – sentido desta afirmativa e clara declaração de benção.

Diversas personas se utilizam deste chamariz para extrapolar suas ídes, seus egos e seus desejos, principalmente os de natureza sexual.

Muitos caminheiros sequer pensaram em ver que todas as formas de amor e prazer tocam de forma profunda e direta o Divino que tenta nos tocar diretamente fazendo-se em nós o divino.

Justamente por pertencer a Ela, que todas as formas de amor e prazer são extremamente divinos e que, quer seja por egoísmo ou luxo de muitos, tais formas foram deturpadas e usadas de maneiras errôneas para subjugar e manipular os que ainda se encontram no início do Caminho.

Tanto as formas de amar como as formas de prazer, atualmente, são constantemente banalizadas, focando apenas no plano carnal, como disse anteriormente, principalmente no campo sexual.

Pouco se ouve, a respeito destas formas, no campo mental, espiritual e Divino. Creio que, por displicência ou por falta de auto-avaliação, a visão do Divino, no que concerne ao amor e prazer, foi relegado aos mais antigos, aos anciões – figurativamente falando –, pois estes com o decorrer do tempo e com as vivências e as próprias conexões, quando feitas com o Alto, lhes mostraram o verdadeiro sentido do Amor e do Prazer, a poucos que enxergam o Caminho Antigo de modo mais sério e coerente com aquilo que professam e acreditam.

É pena que estes poucos abandonem, muitas vezes, o que acreditam, O Caminho, por baterem de frente com uma maioria que prefere continuar fazendo o que faziam antes de adentrar no meio pagão – falar uma coisa e fazer outra, não sendo coerente com a fé e consigo mesmo.

Acredito que se deva observar, sempre e em primeiro lugar, o aspecto Divino e deixar, pelo menos momentaneamente, o mundano. Sim, digo isto pois se vê, normalmente, o contrário sendo feito.

Atualmente vê-se, de modo muito comum, o Amor Eros, por exemplo, apenas no aspecto carnal onde o indivíduo quer, a todo custo, “possuir” o outro de todas as formas e maneiras possíveis e imagináveis. O prazer também se relega ao plano carnal, na satisfação fantasias íntimas e desejos voluptuosos.

Convido, agora, a trocar o ângulo e o foco deste mesmo Amor Eros e prazer, utilizados no exemplo dado, de uma forma mais sublime, de forma mais Divina. Onde está o louco desejo de “possuir” a todo custo e forma a DIVINDADE dentro e em si? Onde está a satisfação dos desejos e fantasias do espírito? Difícil imaginar? Complicado tentar visualizar ou separar o divino do mundano?

Não, nem tanto. Basta abrir, realmente, os olhos para poder ver o DIVINO em tudo e em todos, basta treinar, querer, saber e ousar fazê-lo.

Desta maneira, ao aprender a ver e, muito melhor, enxergar com os olhos mágicos que cada um de nós possui, é que veremos a real grandiosidade do Amor e do Prazer em todas as suas formas, faces e nuances que, por diversos fatores, deixamos de presenciar, vivenciar e apreciar.

Somente tendo  o claro conhecimento e entendimento de que tudo é Ela, que tudo a Ela pertence e que, o mais importante de tudo, Ela se encontra em tudo e em todos, é que vamos começar a vislumbrar o real entendimento de que todas as formas de Amor e Prazer são Dela.

É a partir deste ponto que se tem o Prazer em ouvir, e não o simples ato de escutar, todos os sons, desde o simples grilo até a mais melodiosa canção como algo único e maravilhoso. Que se notará que o Amor não tem tamanho ou fronteiras e que, por este verdadeiro Amor, se calçará a sandália do outro para compreendê-lo, apoiá-lo, ajudá-lo e, assim sendo, o Caminho então tornar-se-á mais belo do que se é.

É neste ponto de “visão” alcançado que o Caminho dos Antigos – seja qual for o segmento – toma sua forma real e plena. Quando o Divino encontra o divino de nosso ser e nos tornamos, de fato, representantes dos Deuses que cultuamos e, acima de tudo, resplandecemos de pura Sabedoria, Amor e Prazer em ser um filho e uma filha da Deusa. E somente assim fará sentido real e amplo da declaração de que todos os atos de amor e prazer são a Deusa e da Deusa.

 

Nubius Pendragon – 27 de Julho de 2012