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Era uma vez três mulheres solteironas que vivem em uma cidadezinha pacata e interiorana e se reúnem sempre no mesmo dia da semana para beber e conversar. Em um desses dias, elas descobrem que, quando desejam com muita força algo juntas, esse algo acontece. Um belo dia, elas decidem desejar o homem perfeito. E o tal cara aparece....
 
Bem, esse é o enredo de As Bruxas de Eastwick, filme  de 1987, baseado no livro do americano John Updike e que agora será o novo musical produzido em São Paulo. Vale salientar que, nem sempre, o que o autor escreveu é o que é retratado e que o filme não é sobre Wicca. O filme é uma maravilha de engraçado, mas o enfoque nas bruxas têm um viés cristão.
 
Primeiro, temos um bando de mulheres aparentemente desocupadas – e desde quando bruxa é desocupada? - e, de certa forma, mal amadas. Em segundo lugar, aparece ninguém menos que o homem desejado: Darryl Van Horne = Devil = diabo. Aí começa o problema. Quando as pessoas lembram, logo quando o ricaço aparece, do nome dele, fatos estranhos acontecem. Uma mulher caí da escada e passa a ficar louca, sendo a santa do filme. Ele se hospeda em uma antiga e grande mansão no estilo vitoriano – óbvio não? – e  a Cher acaba nos lembrando a Laurie Cabot.
A associação entre o ricaço e o diabo é quase inevitável, principalmente ao final do filme.
 
Temos aí outro problema: elementos do senso comum estão muito presentes aqui. A mansão no estilo vitoriano/gótico, o homem que preside o sabá é o diabo – isso é tão Idade Média! - o sabá como orgia, o maléfico Livro das Sombras, o carniçal estranho, os poderes demoníacos .... Tudo isso remete a medievalidade. Como podemos mudar a imagem das bruxas, se o veiculado ainda é isso?
 
Os elementos se repetem: as mulheres, em três por motivo óbvio, que escandalizam e chocam a população por sua devassidão. A bruxaria aqui é apenas o elemento que traz o diabo e o manda de volta para o inferno; de resto, as bruxas usam-na poucas vezes. E aí ficam as perguntas: bruxos moram em mansões horripilantes, possuem serviçais estranhos, promovem orgias e invocam o demônio? Eu acredito que não.
 
Enfim, se você quer ver uma visão sobre a bruxaria do século passado, assista. Você vai se divertir, mas se alguém te perguntar sobre um filme que retrate o que você entende por bruxaria, mande ela assistir Jovens Bruxas que é bem melhor....
Lugh Cerdorrion Herne
Dedicado do Grove Crescente de Prata