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A Deusa faz coisas que eu nunca vou entender, nem sei se é importante entender...

Efetivamente sua essência é o amor. Há quem confunda amor com sexo, mas o Amor da Deusa é puro amor, pleno amor, extrema compaixão, verdade incontestável que se revela nos atos e nas rotinas não destrutivas, amor sagrado, reverencial, devocional. Mabon é o segundo Festival da Colheita, a certeza do Inverno rigoroso que tudo mata. Simbólico? Certamente que sim, mas além disso, é real.

Após fazer minha colheita de Mabon na ultima roda, passei pelo inverno por 8 dias que a mim me pareceram anos, então, pude sentir o renascimento, a certeza das boas escolhas, novos caminhos, novos desafios sacerdotais.

Pude perceber que, na verdade, todo o turbilhão, o inverno, era só parte de um processo, de renovação. Sou grata a este momento especial, era só o fermento agindo para que o pão ficasse pronto. Eu consegui passar pelo Inverno, quando tantos perecem e tanta vida se esvai, me fortaleci.

Celebrei meu Ritual de Croning, como na Antiga Tradição. A Tocha que Ilumina novos Caminhos com a qual posso carregar o fogo sagrado que ilumina a nova fase de minha vida. Certamente, a Senhora Que Porta a Tocha me ajuda a escolher sempre o caminho da verdade, justiça e amor!

Vieram a Caminhada Pagã, na Serra de Maranguape, abençoamos aquela terra, colhemos da maneira sagrada instrumentos de altar, chegou o Samhain e, quando fomos presenteados com irmãos de outras terras que nos visitavam, era a última colheita da Roda, muito havia restado nos campos que nos alimentariam e nos preparariam para a nova Roda. Yule trouxe mais certezas, um Grove nasceu: o Grove da Roda de Prata, um Clã da Senhora de Caer Arianrhod. Imbolc, a Renovaçao dos Compromissos, antes algo formal e da tradição wiccana, a renovação do meu sacerdócio, agora Pleno. Ostara trouxe, além dos ovos decorados, o nascimento de mais um círculo.

Para quem participou do Beltane, existem muitas palavras que o definem: incrível, fantástico, sem igual. A Deusa mostrando o PERFEITO DELA!

Irmãos do Sul, do Norte, do Centro Oeste e do Sudeste, se irmanaram para receber as Bençãos e as energias únicas que este Beltane em especial trouxe.Não era um Beltane estético, embora do ponto de vista estético estivesse muito bom, não era um Beltane formal, embora do ponto de vista da formalidade do rito ele fosse perfeito, foi sim um Beltane da Deusa e do Deus, era visível, palpável ... Energia Sagrada, divinal, que a todos nos contaminou. Litha chegou, representamos na Antigos Caminhos do Ceará, um mitodrama onde Elfo e Fadas abençoavam os presentes, o Rei do Carvalho e o Rei do Azevinho trocaram de lugar no trono ao lado da Deusa.

Somos realmente consciência Dela, os olhos pelo qual Ela vê sua própria vida e sua criação.

O conhecimento da Roda do Ano é imprescindível para o giro da Roda. E, neste sentido, alguns conceitos são essenciais, pois sem eles não celebramos. A Senhora da Vida ensina que não há como impedir o fluxo da Roda, ela vem, quer queiramos ou não. A nós cumpre compreender a lição dos Ciclos Sagrados da Mãe e girar ao seu lado. Ora criança, ora companheira. Somos crianças sentadas em círculo, no Caldeirão da Deusa. Onde começos terminam e fins recomeçam.

Começamos para efeito didático apenas, com Yule.

O Nascimento do Deus. Pagãos fazem o Yule Log, com três velas, enfeitam com ramos de pinho e com pinhas, cordões de pinhão ficam lindos em torno do Yule Log e são bem fáceis de encontrar nos mercados. A Nossa Árvore de Yule, também enfeitada lembra a razão de sua existência, e carrega frutinhas vermelhas, sóis, algumas flores, nela amarramos os pedidos para a Roda que se inicia. Os altares lembram as cores do Yule. Trocamos presentes e nos divertimos com o Give Away. Podemos encenar o nascimento do Deus Solar, da Deusa que se torna Mãe. E, quando nenhum presente temos para trocar, trocamos dons entre nós mesmos.

Logo chega o Imbolc, limpeza, faxina no corpo físico e em nossa vida mágica. Entre tanto a fazer, confeccionamos a Corn Maiden, ela é a noiva do Altar. Encenamos a chegada de Brigit, a Senhora do Imbolc com seu manto. Não fazemos fogueira, pois pouca madeira resta e ainda está frio.

Cantamos, nos alegramos, alguns até contam histórias. Fazemos tranças uns nos outros, em lembrança à Brigit das Tranças.É o tempo de confeccionar olhos de Brigit , Cruz de Brigit e enfeitar o altar, espalhar pela casa para trazer proteção e boa sorte.

Chega Ostara, coelhos e ovos pintados. Basta cozê-los até que fiquem duros, então desenhar figuras da nossa cultura pagã. Perséfone e Eostre chegam, é o Dia da Senhora.

No Beltane, o Casamento da Deusa e do Deus, todos com coroas de flores ou folhas, fogueiras com ervas sagradas, May Pole para trançar com fitas coloridas e danças alegres. O Vinho com frutas é servido com fartura, a alegria da festa eleva o cone de poder. Casais se beijam no centro do Circulo, a energia do amor conjugal flui e a todos abençoa.

Adiante, nasce o Sol de Litha, quente. É o meio do verão, aproveitamos para solarizar nossas garrafas d´água amarelas. Os Girassóis e Hibiscos amarelos, Rosas amarelas, laranjas e vermelhas enfeitam o altar. Ainda é tempo de flores. É tempo também de honrar as Fadas.

Sonhos de uma noite de verão é tambem um conto de Litha. Há muitos de nós que fazem coleira de Bruxa nesta data.

O Lammas é o Festival da Primeira Colheita. Há fartura de frutas e grãos, amassamos os grãos para simbolizar o Deus que é ceifado, e assamos o pão.

A Corn Mother é a própria abundância. Nós a confeccionamos com a palha do milho ou do trigo, e deixamos no armário dos mantimentos, ou ainda na cozinha para que a abundância nunca deixe nossa casa. A festa do Sabat fica por conta dos Jogos de Tailtu, competição, disputas, em meio a gargalhadas e alegria. A Roda Solar é feita com espigas de milho, e enfeita o altar durante o sabat, depois, vai para a casa, mais uma vez trazendo abundância.

Em Mabom, a Segunda Colheita, bebemos vinhos de diversos tipos de uva. O  altar traz folhas secas e frutas secas, avelãs, nozes e amêndoas. É tempo das compotas e geleias. É tempo de agradecer pelo que recebemos na roda, e ainda há tempo para os últimos pedidos.

Samhain encerra o ciclo. A Roda chega ao final para novamente começar a rodar. Na última colheita da Roda, o Deus se dirige ao Pais do Verão. Celebramos nossos Ancestrais, convidamo-os para celebrar conosco, com fotos, objetos , bolo de frutas e maçãs.

Samhain é também a alegria do Novo Ano, a Roda que começa a Girar. Fazemos o cordão de Samhain, esculpimos Jack O´Lantern em abóboras ou nabos, fazemos pequenos bolos, colocando pedidos neles, para a Nova Roda. Esta é a noite de ler nossos Oráculos. Logo é Yule novamente e a Roda vai girando... vai girando...

Ao perceber a Sagrada Lição dos Ciclos, nos tornamos mais fortes a cada giro. Percebemos, cedo ou tarde, que o novo é o velho renascido e o velho é o novo que virá. Muito há que se agradecer nesta e em todas as épocas pelos queridos que passaram por nossas vidas, os que ficaram, os que resgatamos da fornalha da incompreensão, os que escolheram ficar do nosso lado, sob circunstâncias tão adversas e aqueles que nunca nos abandonaram,.

Hoje é possível perdoar, as duras palavras injuriosas, porque elas retornaram aos que as proferiram ao longo de tantas rodas. É possível perdoar os erros dos amigos e dos inimigos, nos socorrendo da compaixão que vem com a prática e sacralidade que é a rotina sacerdotal. É possível, mais que tudo, perdoar a nós mesmos pelas escolhas erradas, ter compaixão por nós mesmos, buscando sempre acertar nas escolher. O amadurecimento traz o compromisso com a palavra, com a verdade e com nossos juramentos diante dos Deuses.

A Roda do Ano não é um instrumento que está inscrito em nossos Livros das Sombras, ela é a própria caminhada sagrada sobre este Corpo Sagrado da Deusa, sob o Olhar Sagrado da Deusa e sob nossa Sagrada consciência da Deusa. E se iniciei falando de Amor da Senhora, é com este mesmo Amor que encerro, agradecendo a todas as Consciências Dela que cruzaram meu Caminho como Consciência da Deusa. Esta minha caminhada é um grande presente, e peço sempre que eu seja um Instrumento dos Deuses para o maior de todos os presentes que recebi: ter meus irmãos sagrados celebrando o Sagrado na minha vida.

Arian Badb Sophia
Sacerdotisa Wiccaniana