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É muito comum quando estamos sozinhos ouvindo uma música, lembrarmos de situações e fatos que de alguma maneira marcaram nossa vida.

Dentro de nós existe constantemente uma música, que toca ritmando o nosso modo de vida. Algumas vezes a percebemos, outras vezes desconhecemos quando ela está tocando.

Quantas vezes paramos para ouvir o som do nosso coração? E o som da nossa respiração? O som que nossos ossos e articulações fazem quando nos movimentamos? Quando piscamos os olhos ou abrimos a boca, ou quando o nosso estômago está fazendo a digestão, ou o sangue circulando.... Se juntarmos todos esses sons, teremos uma grande orquestra. Dentro de nós também existem vários cantores: a nossa criança canta, a nossa mulher, o nosso sábio e o nosso homem também cantam.

Quando paramos para perceber, é sinal de que há sons retumbantes ecoando ao extremo. Nesta hora temos dois caminhos: procurar um curador externo – um médico, um terapeuta que podem dar atenção a isso ou vou a busca do meu curador interno.

A arte do curados consiste em não só entender esta sinfonia mas também assumir a responsabilidade de ser o maestro dessa orquestra.

Lidar com todos estes movimentos que ocorrem (internos e externos), seja esta sinfonia interna ou externa, é tratar a vida como uma grande obra.

Existe um ditado: “viver é uma arte e, devemos fazer da nossa, uma bela obra”.

O curador que vai transitar por estes caminhos, do sutil ao denso, vai ter que entender que terá nas mãos pincéis, e tudo aquilo que for pintar, ficará para sempre registrado.

Ele terá que ter habilidades para transformar tudo numa bela obra de arte, seja a vida dele ou ajudando outras pessoas. Quando ele descobre a beleza que há interna e externamente ele se transforma num grande maestro da vida.

A natureza à nossa volta conspira constantemente a nosso favor. O nosso dia-a-dia é repleto de professores. Nós chamamos de mestres naturais: observar o nascer e o pôr-do-sol, um pássaro que canta, uma flor que desabrocha, uma criança que sorri, o modo como reagimos perante a uma situação. Perceber tudo isso faz parte da arte do curador.

Uma das coisas que chamam a atenção é que muitas pessoas falam bastante em ecologia, em preservação da natureza e das espécies, mas pouco se fala sobre a real importância dos ritos naturais de passagem que o planeta tem, desde solstícios e equinócios a viradas da lua. Isso são acontecimentos tão reais quanto a ação de respirar.

A cada virada de estação a natureza e tudo o que é vivo também mudam. E como fazemos parte dessa natureza, afinal somos seres vivos, quem disse que não mudamos também?

Você já parou pra pensar o que acontece com seu corpo, seu coração, sua mente e seu espírito quando essas viradas ocorrem?

Era comum, há tempos atrás, o ser humano assim como toda a natureza, honrarem este momento. Momento este que era considerado sacro (esta palavra vem do latim e significa sagrado). Este momento era sagrado.

Esta é uma palavra que pouco se conhece. Algumas pessoas dizem assim. Quando estou indo para tal lugar, é sagrado eu fazer isso.

Eu pergunto: O momento em que você dorme e acorda é sagrado? Sua casa e sagrada? Cuidar daquilo ou honrar a vida que pulsa a sua volta é sagrado? Pense nisso!

É muito comum as pessoas quererem barganhar com o sagrado. Por exemplo: pessoas fazem promessas para vários tipos de situações e dizem que se conseguirem o que foi pedido, tomarão uma determinada atitude. Elas fazem isso, geralmente na hora em que estão em apuros, aproximam-se do sagrado porque estão precisando de algo. Na maioria das vezes podemos até brincar que nem sequer cumprimentam com Bom dia! ou Boa Noite! esses santos e protetores a quem estão requisitando.

Como você se sentiria se alguém que o considera como imprescindível em sua vida, só se aproximasse na hora de barganhar algum favor?

Sthan Xannia