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Depois de um Encontro de Neopaganismo, um gentil amigo me perguntou qual panteão eu cultuava. Respondi: “todos [força de expressão] os panteões do mundo”. A reação imediata dele foi de um susto. Não sei se ele ficou impressionado por eu ter exagerado em dizer que tenho interesse em todos os panteões ou porque misturava vários panteões, talvez, simplesmente, as duas coisas. Para tentar esclarecer a minha frase, completei: “só assim poderei conhecer os mistérios da Senhora dos 10.000 (dez mil) nomes”. Aí, ele pensativo respondeu: “não consigo cultuar vários panteões... sou preso a um só panteão...”

Há quem diga que não se deve misturar os panteões por vários motivos. Respeito a opinião de cada um, pois a escolha de celebrar os deuses é de caráter pessoal. Devido a nossa matriz cultural patriarcal e cristã, tendemos a pensar que existe um único caminho certo e verdadeiro. No entanto, não devemos esquecer das inúmeras possibilidade de caminhos e o que pode ser certo para você, pode não ser para outra pessoa. No final, cada um percorre o que escolher, seja dentro de uma tradição, covens, círculos ou em um caminho solitário. O direito de liberdade na escolha de honrar os Deuses e os panteões na qual nos identificamos ou que recebemos o chamado, é nossa.

Dito isso, prefiro estar nesta constante caminhada de conhecer vários mitos e contos de diversas Deusas e Deuses e honrá-los quando tiver afinidade e coerência, pois sei que não existem barreiras culturais, étnicas e geográficas para acessar a energia das divindades. Com os ciclos de nascimento, crescimento, declínio e morte permeando várias civilizações, nações e tribos em constante transformação, só mostra que podemos nos deparar com  as múltiplas faces da Deusa e do seu amado Consorte.  Já que, durante toda a história e em diversas culturas, aconteceram celebrações de vários aspectos do Divino Feminino e Masculino que foram perlustrados numa gama de mitologias e contos, ganhando outros epítetos e diferentes contornos nas mais variadas e distintas visões de mundo, sobrevivendo assim, através dos tempos.

Podemos lembrar também que Gerald B. Gardner, considerado o pai da Wicca moderna, escreveu em seu artigo “The Triad of the Goddess” [1]: “O nome que eu cultuo a Deusa estou proibido de dizer, Ela é conhecida pelos estudantes de mitologia e folclore por diferentes nomes. Isto inicialmente representa uma espécie de estranheza, como um número de diferentes deusas pagãs pode ser a mesma deidade? A resposta, eu sinto que pode estar em um ditado de Voltaire, "que o homem criou Deus à sua imagem." Uma frase que poucas pessoas conseguem entender”. [Tradução Livre]

Concluindo, quem nunca ouviu falar naquela famosa frase proferida por Dion Fortune “Todas as Deusas são uma só Deusa, e todos os Deuses são um só Deus”? Será que não tem um fundo de verdade?

Forseti Modig

Referências Bibliográficas

[1] http://pt.scribd.com/doc/38042722/The-Triad-of-the-Goddess-by-Gerald-Gardner