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Desde os meus 17 anos neste corpo fui conquistado pelos conceitos e valores da escola religiosa que sigo. Desde então, sempre me vi “nadando contra a corrente” em relação à maioria das pessoas. Mas, como bom aquariano, isso nunca me incomodou. Muito pelo contrário. Eu sempre fui muito seguro em relação à minha escolha religiosa e que consequentemente traria mudanças no campo social e cultural. Isso significaria que eu sempre teria poucos amigos, que nem sempre poderia discutir sobre certos tópicos com alguns desses poucos amigos – o que diminuiria mais ainda o meu círculo de amizade, e que eu deveria encarar o fato de que sempre seria taxado de estranho, para o resto de minha vida. Isso não é lamentação de minha parte. Muito pelo contrário! Eu me orgulho por sempre ter sido tão honesto e ter dado a devida atenção à minha busca interna.

Nesses pouco mais de vinte anos de vida pagã, eu colhi muito frutos maravilhosos. O principal deles, com certeza foram os amigos que eu conheci e ainda tenho a fortuna de conhecer no pequeno e ilimitado universo pagão. São pessoas estão fazendo o melhor uso possível de sua liberdade e que com certeza também estão colhendo bons frutos em seus diversos caminhos. Porém, quando adentramos nesse caminho, sozinhos ou com famílias constituídas, temos diferentes desafios e escolhas. O que não é o meu caso.

Como já lhes falei no início, eu já passei pela experiência de ser pagão sozinho, isto é, sem família constituída. Agora, eu tenho um novo desafio pela frente, que é criar uma criança que será criada e educada para ter uma mente livre como a nossa e cultivar valores éticos, morais e religiosos que nós também cultivamos. Muitos pais acham que não devem interferir na escolha religiosa dos filhos, afinal, assim como nós, eles farão suas escolhas quando estiverem maduros. Eu respeito essa opinião, mas não concordo. O meu exemplo como pai é vivenciar a minha religiosidade, tanto externa quanto internamente. O que fará com que a criança imite com naturalidade. Quando eu morava em templo, me lembro de ter convivido com uma família por uns quatro meses. Eles tinham uma menina de uns quatro ou cinco anos e naturalmente essa criança não acordava tão cedo como nós, para participar dos rituais da manhã (04h30min). Durante o dia, aquela criança brincava com as suas bonecas e cantava todos os mantras que nós cantávamos e muitos mais. Ela o fazia naturalmente, pois os pais também faziam. 

E para os pais ou futuros pais que estão lendo esse pequeno relato, se todos vocês tiverem a fortuna de ter uma esposa como a minha,  considerem-se mais do que abençoados pela Deusa. Ela é a minha medida certa para ter êxito em todas as metas que traçarmos. 

A conclusão a que chego é a seguinte; se nós convidamos aquela alma para habitar aquele corpo que será o nosso filho por algum tempo, nós assumimos responsabilidades para com ele. Não só assumimos a responsabilidade de alimentar, vestir e livrar seu corpo da maioria das doenças, mas também de indicar um caminho religioso condizente com o nosso exemplo individual e coletivo. Se realmente achamos que tudo acontece por um motivo, o aparecimento de uma criança em nossa vida não é diferente. 

Rama Sundar Dasa

30/11/2013